quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sou desinteligente

Cada vez mais dou comigo a pensar que os meus neurónios começaram a envelhecer a um ritmo avassalador e que não compreendo o que leio ou ouço. Ontem à noite, tornei a sentir o mesmo ao ler que a "revista Análise Social foi suspensa terça-feira pelo diretor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, José Luís Cardoso, por conter um ensaio visual com «linguagem ofensiva»"(http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/ics/revista-analise-social-suspensa-devido-a-linguagem-ofensiva).
No início ainda pensei que era boca do Inimigo Público e tentei compreender a piada. Li o texto na íntegra e então percebi que estava perante uma atitude demasiado magnânima e generosa para que conseguisse compreendê-la na totalidade. Trata-se, nas palavras de quem tomou a decisão, de "garantir uma imagem de dignidade […] Estou seguro da bondade desta decisão, que não representa qualquer ato de privação de liberdade»". Estou bem mais descansada, feliz e tudo, e tudo, e tudo, como diz a minha amiga Sofia N.
O motivo para o gesto salvador não resulta de uma eventual falta de qualidade do ensaio do Ricardo Campos, mas do corpus sobre o qual desrespeitosamente o meu colega ousou escrever. Mau, mau, Maria!
O que é que aprendo com isto? Que há temas estudáveis e problematizáveis e há, também, os que representam uma falta de respeito tão, mas tão grande que serão sempre tabus. E se em vez de "caralho", um dos murais tivesse "pilinha" ou "pirilau"? E se...? E se...? E se...? Ou será que o problema disto tudo passa pelos destinatários do que foi grafitado?
Pela parte que me toca, considero seriamente usar uma das imagens indicadas pelo Ricardo como slide  final de uma comunicação que estou a preparar para apresentar em Novembro. Espero que me atirem tomates para poder levar para casa para o M. comer. Parece que faz bem à próstata - oops, próstata lembra outras coisas, será que posso dizer?



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