sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Covent Garden e mudanças





Covent Garden.
I could live here.
 
 
[@ Covent Garden, ontem]
 
 
Da próxima vez, não esquecer de trazer um dos milhares de cadernos ou blocos que coleciono e, igualmente importante, não o arrumar no fundo da mala.
Depois de encontrar o Júlio Isidro por aqui e de me ter desfeito em lágrimas quando ouvia um concerto de cordas, pensei que I could live here (pensei em inglês, claro!). Não me refiro propriamente à "motivação Júlio Isidoro", nem à cidade de Londres. Pensei apenas que podia viver em Covent Garden. Creio que poderia ser feliz aqui, numa das lojas do mercado.
Ando para cá e para lá, há cerca de uma hora, a arrastar uma mala, a ver todas estas montras que me lembram sempre o brilho do Natal, a repetir, feliz, corredores, arcos e escadas. Sempre a arrastar a mala, mas acabo por reparar que não sou a única. Provavelmente, todos os outros que por aqui arrastam malas são meus potenciais vizinhos.
Enxugada a enxurrada lacrimal, sento-me, observo e dou de caras com uma colega do Porto, a F. Afinal já tenho vizinhos e referências por aqui. Este sentimento (forçado) de vizinhança dá consistência à minha vontade de ocupar a minha loja apesar de estar frio e de saber que em Lisboa há calor.
Talvez sejam o cansado e a ansiedade do regresso que, de novo, me fazem crer que, com o M. por cá, tudo estaria bem e assentaria por aqui.
A mudança está a preparar-se. Tanto, tanto para e por fazer e já resta tão pouco tempo.
 
 
[@ Lisboa, hoje]
Depois de rever o rio, ao almoço, a minha vontade amoleceu com o calor português.
Mas continuo a caminhar para a mudança e a não querer perder muito do que quero e para o que já não tenho assim tanto tempo.

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